O que é o Vírus Nipah? Entenda a infecção mortal e o risco para o Brasil

Após confirmação de cinco infecções na Bengala Ocidental, autoridades monitoram patógeno sem cura; entenda a possibilidade de contágio nacional e os sintomas.

Por SERGIPE HOJE - Mundo

A detecção de cinco casos de vírus Nipah na Bengala Ocidental, Índia, acendeu um alerta sanitário devido à ausência de cura ou vacina para a doença. O vírus, que é transmitido de animais (especialmente morcegos) para humanos e também entre pessoas, pode causar encefalite grave e pneumonia. Apesar da gravidade e do registro de centenas de casos positivos em 2023, especialistas apontam que a circulação do patógeno está atualmente restrita a países asiáticos como Índia, Malásia e Indonésia. Sobre os riscos para o Brasil, infectologistas afirmam que não há motivo para alarme imediato, desde que a transmissão humano a humano permaneça controlada na origem. O tratamento atual limita-se ao suporte dos sintomas, que variam de febre e dores de cabeça a convulsões e alterações de consciência. As autoridades seguem monitorando a situação e o desenvolvimento de futuras vacinas para conter possíveis epidemias.
O que é o Vírus Nipah? Entenda a infecção mortal e o risco para o Brasil
Vírus Nipah é transmitido de animais para humanos. Foto: Freepik

Autoridades sanitárias da Índia confirmaram, recentemente, a detecção de pelo menos cinco indivíduos infectados pelo vírus Nipah no estado da Bengala Ocidental. A situação colocou a região em estado de alerta nas últimas semanas, uma vez que o agente infeccioso, para o qual ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos disponíveis, possui potencial para desencadear surtos epidêmicos.

Diante do cenário internacional, surge um questionamento inevitável: existe o perigo de o vírus desembarcar no Brasil? Conforme dados divulgados pelo portal Uol, a circulação do patógeno está, até o momento, restrita geograficamente a países como Malásia, Indonésia e Índia, onde os diagnósticos foram oficializados.

A avaliação de especialistas indica que, enquanto a transmissão entre seres humanos não atingir proporções elevadas, a probabilidade de o vírus alcançar zonas urbanas distantes ou outros países permanece baixa. Em entrevista ao Estadão, a infectologista Kamilla Moraes, da UPA Vila Santa Catarina, reforçou que o contexto atual exige atenção às diretrizes das autoridades de saúde, mas não há razões para pânico generalizado.

O que é o vírus Nipah?

Classificado como um patógeno zoonótico, o vírus Nipah tem sua transmissão originada de animais para humanos. O contágio ocorre principalmente através do contato direto com fluidos corporais ou pela ingestão de alimentos contaminados. Além disso, já existem registros confirmados de transmissão direta entre pessoas.

Os hospedeiros naturais e principais reservatórios do vírus são os morcegos frugívoros (que se alimentam de frutas). O histórico da doença na Índia aponta dados preocupantes: em 2024, um adolescente veio a óbito por parada cardíaca após contrair a infecção. Já no ano anterior, em 2023, foram contabilizados 706 testes positivos para o vírus.

Tratamento e quadro clínico

Atualmente, a medicina não dispõe de uma cura ou medicação capaz de combater diretamente o vírus Nipah, segundo informações do Uol. Embora existam vacinas em fase de desenvolvimento visando impedir o contágio, o manejo clínico dos pacientes infectados foca exclusivamente no controle dos sintomas, que podem incluir quadros graves de pneumonia e convulsões.

A infecção pode levar à inflamação do cérebro (encefalite), condição associada a uma alta taxa de letalidade. Os efeitos no sistema nervoso central e os sintomas gerais incluem:

  • Febre alta;
  • Cefaleia (dor de cabeça intensa);
  • Alterações no nível de consciência;
  • Náuseas e vômitos;
  • Crises convulsivas;
  • Complicações respiratórias, como pneumonia.

O diagnóstico precoce representa um desafio, visto que os sinais primários são difíceis de distinguir. Além disso, a precisão dos exames laboratoriais pode ser comprometida por variáveis como a qualidade da amostra clínica, o tipo de material coletado e o tempo decorrido até a coleta.