Ex-secretário de obras tem residência arrombada por policiais e alega crime de racismo

Por volta das 19h40 da noite do último dia 26 de março, após receber denúncia de crime doméstico, a Polícia Militar realizou uma ação em um condomínio do bairro Coroa do Meio, em Aracaju e chegou a arrombar a porta do apartamento para atender a ocorrência. O suposto delito teria acontecido na residência de Robson Araújo, engenheiro civil e ex-secretário de obras de São Cristóvão, que contesta a denúncia e acusa a corporação por crime de racismo.

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De acordo com Robson, ele e sua mulher estavam fora há três dias, pois estavam viajando e hospedados na cidade de Maceió, permanecendo no apartamento apenas seus dois filhos, um de 19 e outro de 20 anos.

Uma discussão entre os irmãos teria acontecido enquanto Robson e sua esposa, Elielba da Costa, estavam fora. A suspeita é que por conta dessa discussão, uma denúncia tenha sido feita pelo síndico do condomínio.

Segundo os relatos do engenheiro, os policiais entraram no condomínio, com autorização do síndico, e se encaminharam para seu apartamento sem que tivessem lhe interfonado antecipadamente para que fosse informado da entrada dos policiais.

Ele conta que ao bateram na porta e serem atendidos, os policiais citaram a denúncia. Robson afirma que questionou à polícia se havia algum mandado que autorizasse a entrada em usa residência, ou se haviam provas de ocorrência de crime. Ao receber resposta negativa, não permitiu a entrada dos agentes.

Após isso, Robson disse que utilizaram spray de pimenta através da varanda do apartamento, que fica no térreo, e em seguida arrombaram a porta e entraram no local, agindo de forma truculenta e armados com fuzil. Ele disse ainda que foi algemado, humilhado e levado até a delegacia com seu filho e sua esposa, onde permaneceu preso por mais de 4 horas. O engenheiro acusa a corporação por crime de racismo.

“Você sabe muito bem que porque eu sou negro. Então, uma major branca, uma corporação branca, quando vê um negro parece aquele senso de repulsa, aquele preconceito racial acontece e aflora e transcende as expectativas piores que se possa imaginar”, afirmou.

Elielba disse que quando os policiais chegaram na casa, ela já estava se preparando para dormir e estranhou a movimentação. Ela negou a informação de que Robson tenha a mantido em cárcere privado ou a agredido.

“De forma alguma isso aconteceu. Isso é uma inverdade. A primeira vez que bateram na porta eu já estava até de baby doll no quarto e percebi que estava acontecendo algo. Fui para a sala e tudo já estava acontecendo. Eu ainda falei para a policial que ele não havia me agredido, que tínhamos acabado de chegar de viagem”, contou.

Na delegacia, ela alega que lhe foi entregue um Boletim de Ocorrência para que fosse assinado e nele constava que ela havia sido vítima de agressão e que estava sendo mantida em cárcere privado. Elielba diz que se recusou a assinar o documento, pois o fato não havia ocorrido.

Em nota, a Polícia Militar disse que atendeu a ocorrência após ter sido acionada pelo síndico do condomínio, que denunciou crime de violência doméstica e quando a equipe chegou no condomínio, foi autorizada a entrar.

Segundo a PM, ao tentar falar com o Robson, ele apresentou agressividade e não permitiu a entrada dos policiais, que ao tentar falar com a suposta vítima, percebeu que o mesmo havia trancado ela em um dos quartos.

Ainda de acordo com a nota, ao chegar o apoio, foi solicitado novamente a entrada da equipe policial, pois naquele momento havia uma mulher presa em um dos quartos impedida de falar com os policiais, que diante da recusa, foi necessário entrar à força, e que Robson, ao perceber que na equipe policial havia uma mulher, começou a ofendê-la, desacatando a policial e os demais presentes.

Diante dos fatos, foi dado voz de prisão e encaminhado para o DAGV onde foi registrado o fato, e será instaurado o inquérito policial.

Por FanF1